O TELEVISOR DA SALA ME ODEIA


Aqui em casa, sempre que estraga uma coisa, estragam outras em sequência,como que uma reação em cadeia. Isto sempre me intrigou, desconfiava que havia algo por trás destes acontecimentos, que não eram obra do acaso, mera coincidência, até que finalmente descobri tudo.

Existe um complô organizado contra mim, comandado pelo televisor da sala, ele é o responsável por este caos que ocorre de tempos em tempos aqui em casa. Tudo porque foi atingido por um raio uma vez, e acha que fui eu que encomendei a tempestade prá acabar com ele, desde então está completamente paranóico.

Sei disso, porque acordei certa noite com um zum zum, apurei o ouvido, parecia vir da sala de jantar, pé ante pé, fui espiar, e lá estavam: Meu televisor à cabeceira da mesa, discursando, bradando palavras de ordem, e fomentando um levante, por assistência, todos meus eletro domésticos, eletro eletrônicos, e acessórios, tais como: torneiras, canos de gás, e água, interruptores de luz, tomadas..etc., alguns em pé, por falta de espaço à mesa.

O que mais doeu foi ver o secador de cabelos, que viajou comigo tantas e tantas vezes, ali, junto daqueles que promoviam meu infortúnio, rindo a não mais poder enquanto gabava-se das vezes em que me deixou na mão em dias de festas, por saber que detesto salão de beleza. Traidor! E pensar que estive prá trocá-lo inúmeras vezes...

Tive ímpetos de entrar e sair distribuindo tapas a torto e a direito naqueles ingratos que sempre tratei com tanto cuidado, mas me contive, julguei que seria mais prudente descobrir o que tramavam, e assim formular um plano de defesa.

A palavra agora estava com o micro ondas, que tentava convencer a lava- louças a se desligar, assim como ele, sempre que a cafeteira ( que o fitava extasiada) fosse ligada! Miseráveis! Estavam de caso o Micro e a cafeteira, por isso um sempre parava quando o outro era ligado, e eu achando que era problema de rede elétrica.

A lava louças explicava ser impossível, pois estava ligada ao outro lado do quadro de força, a não ser que o freezer desse uma mãozinha, com a ajuda do refrigerador. - Fica frio, deixa comigo! Exclamou o freezer e sugeriu ao fogão que desativasse seus botões automáticos, ao que o assanhado acendeu-se todinho, faceiro, diante da perspectiva, lembrando ao fósforo e isqueiro que pensassem num bom lugar prá se esconderem nestas ocasiões.

Em coro falaram o liquidificador, o grill, o forno elétrico e o processador:
- nós também...nós também!!! Ai, que ódio!

Enquanto isso,o DVD conversava com os aparelhos de CD e rádios relógios, combinavam parar na melhor parte do filme, no momento do gol, algo sobre arranhar os discos, desativar despertador e vazar pilhas..não consegui escutar direito. À esquerda, perto da janela, estavam encostados os canos de cobre, vinham representando os botijões de gás, e o aquecedor central, que pelo tamanho ficaram impossibilitados de comparecer, mas traziam em mãos um manifesto dos mesmos, assinado em cartório, onde lia-se que desligariam suas válvulas durante o banho, no exato instante e que eu estivesse enxaguando os cabelos.

O Televisor pediu que a secretária eletrônica gravasse tudo em ata, como das outras vezes, advertindo-a que não esquecesse de continuar desconsiderando os recados urgentes, dando preferência aos telemarketing.

Aí foi a gota d'água, eu era o quadro da dor com a moldura do desespero, mandei pro espaço a previdência, e comecei a gritar bem alto:

- Revolução doméstica! Revolução doméstica! Socorroooo!

Contei à minha família, que obviamente acordou com o barulho, o que acabara de presenciar, prometeram que vão trocar tudinho lá em casa, digo lá, porque desde aquela noite estou aqui, neste quarto todo branquinho, por companhia só esta cama e um criado mudo. Me sentiria completamente segura, não fossem estas duas lâmpadas fluorescentes no teto que piscam vez ou outra, sei lá... pode ser código Morse, vá que o Televisor esteja enviando mensagens pra elas me detonarem?



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MORRER ANTES DE NASCER


O Chaplin tem um texto que fala em inverter a ordem da vida, nascer velho, e morrer onde tudo começa, num imenso e maravilhoso orgasmo.
Eu faço isto com meus sanduíches, gosto de comer as bordas primeiro e deixar para o final o miolo, que é onde está a melhor parte do recheio.
Não é forma tradicional de degustação, foi a que eu escolhi, por considerar a mais gostosa.
Subverter-nos à vida, foi a forma que encontramos de driblar a dor, descobrimos que *A* felicidade não existe, a menos que seja para determinar o conjunto de bons momentos, e que o prazer é tão fugaz quanto uma estrela cadente, corre tão rapidamente pelo céu, que se piscarmos os olhos apenas um segundo, perdemos o desejo!

E o desejo pode ser tudo, menos paciente!

Então cuidado, pois o tempo não é o ideal de Chaplin, corre para frente, e o adiante pode não haver.

Acho que hoje, vou chutar o balde com o pé esquerdo, e deixar o direito para apresentar-me ao desconhecido, direi: - Olá! Quem é você?
E talvez...., só talvez, ele responda: - Sou você, amanhã bem cedinho, não desperdice o dia de hoje, porque ontem você jogou fora!


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PONTO FINAL OU RETICÊNCIAS?


Sempre sabemos quando algo termina, podemos até nos enganar por um tempo, mas lá no fundo da sua razão está escrito em papel bem dobradinho: ACABOU!

Finais não são agradáveis, nem os felizes, porque deixam sabor de quero mais, a ânsia do querer que não finde, àquela dorzinha gostosa, mas sempre uma dorzinha...

Dos infelizes nem se fala, estes quando não assimilados provocam o caos dentro de você, desgastam a alma, corroem o espírito e eliminam a auto estima.

Não é a todos que a dignidade em forma de clareza e conformidade se faz presente. Você observa a frase, mas não vê o ponto final, no lugar dele, seu ego embriagado registra reticências....e é ai que você se perde.

Ao percorrer este caminho ilusório de pontinhos, vai afundando pouco a pouco, faz da raiva uma muleta, da frustração um escudo, e da dor um aliado, e assim em completo desespero, insiste na busca desenfreada por algo que já não existe.

Todo o resto desaparece, e o que se mostra é a vontade de voltar, retomar, reiniciar, porque finais são sempre dolorosos...



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VIR VER VIDA


Se a vida fosse um filme, e nos fosse dado o direito de editá-lo, provavelmente cortaríamos várias cenas, temos esta mania de querer apagar da mente àquelas situações em que julgamos não ter atuado da maneira correta.

Como se vida não fosse justamente isso, erros e acertos, aprendizado constante, roteiro desconhecido. Não existe "deixa" prá próxima fala, ou "corta" porque saiu errado, somos nós, dirigindo e produzindo, nossos sucessos e fracassos.

Vida é rir das mancadas e fazer delas escadas, desarmar-se dos bloqueios, entender que nada é prá ser guardado, arquivado e jogado no depósito do esquecimento, tudo deve ser partilhado, dividido, nada pode ser resumido, diminuído ou desprezado.

Vida é fazer de cada tropeço um recomeço, com mais verdade, é olhar no espelho e enxergar no rosto marcado, o esplendor do conhecimento, no presente do tempo.

Vida é esquecer o texto, enxertar um caco, estrear sem ensaio, derrubar muralhas, libertar-se das mortalhas.
Vida não é contemplação, é desafio, se filme fosse, seria de ação.
Vida é vôo sem escala definida, hora de chegada ou partida, puro risco e mistério, um tentar constante, somos navegantes desprovidos de velas, duelando com o vento, com a única arma que dispomos ; VIDA.

Não me importam os remendos, virar colcha de retalhos, quero todos meus momentos por inteiro, bons ou maus, sem atalhos.

Não gosto da palavra " vi vida ", prefiro " ver vida ", " ter vida ", vim a este mundo no passado, mas adoraria " vir ver " vida para sempre, ser " vivente " eternamente.


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DESENHANDO O AMOR


Quando se desenha em perspectiva, existe o que chamamos de ponto de fuga, é a partir dele que a imagem se distancia, ou cresce diante de nossos olhos, pode-se ignorar o pontinho, e fazer um desenho chapado, exibindo apenas contornos, ou então um esboço, sugerindo algo...

Quem não rabisca, provavelmente pouco vai entender do que escrevi acima, então como forma de exemplificar, vou usar metáfora como recurso, e o amor como tema.

Imaginemos que tenhas encontrado tua metade da laranja, do abacate, ou até do abacaxi, afinal a metade é tua, e dás à fruta, ou fruto, que neste caso nunca é proibido, o nome que quiseres.

Podes fazer dela, apenas um esboço, imaginando as probabilidades que teriam caso se unissem, e vez ou outra, recordares nostalgicamente, como teria sido se...e guardá-lo novamente naquela gavetinha que tens, e que se não me falha a memória, chama-se covardia.

A maneira chapada, e creio que a mais usada, é àquela em que julgaste ter achado a outra parte, te destes conta do erro, mas por acomodação te deixaste ficar, abrindo mão da metade certa, conformando-te com a abstinência, e suportando os efeitos colaterais.

Agora, digamos que encontraste tua metade do abacate, com aquele tom verdinho lindo, o sabor pra lá de gostoso, um aroma que te faz delirar, e esquecer completamente que existem outras frutas no pomar da vida.

Alguns dirão: - mas e o caroço? Ora, esqueçam o caroço, nem tudo é perfeito, ou então considerem-no como necessário, pra que o encaixe seja perfeito. Alguém já não disse, * dá fruta, como até o caroço* ?

Então? Assim, estarás desenhando teu amor em perspectiva, por que vais querê-lo por inteiro, casca, polpa e semente, trocando quantas vezes forem necessárias, o local do ponto de fuga, para que ele jamais perca-se em amenidades, e busque sempre novas possibilidades.

Como tens desenhado o amor na tua vida? A página ainda está em branco? Rabiscaste algo, mas o tempo amarelou a folha, ou criastes tua obra de arte?



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GOSTEI, DETESTEI, QUEM?


Existem pessoas com as quais você simpatiza assim que conhece, àquelas que antipatiza imediatamente sem motivo aparente, e as que lhe são indiferentes e você esquece 5 minutos depois de lhe terem sido apresentadas.

Minha natureza prática, classifica assim: gostei, detestei, quem?

Esta é uma definição simplista, típica de alguém que desconhece totalmente o universo ZEN, entendam por zen (zen entender nada), que só usa a intuição como forma de explicar a si mesma o porquê de determinadas coisas e ousa explicitar aqui seus pensamentos.

Imagino que àquelas de quem gosto à primeira vista devam ter uma energia similar a minha, tipo, *teu santo bateu com o meu*, e pronto, não vejo necessidade de perder tempo tentando descobrir o porquê da empatia.

As que não deixam marcas provavelmente não vieram ao mundo prá fazer parte do meu grupo, são de outra casta, nos cruzamos por acaso e também terminam aí minhas indagações, até porque, como disse, se apagam da minha memória.

Mas as de quem não gosto de pronto, ou deixei de apreciar com o tempo por motivos quaisquer, estas tiram meu sono, porque tenho extrema dificuldade em fingir e muitas vezes me vejo obrigada a conviver por educação ou necessidade.

Os que me conhecem dizem que não sei disfarçar, que de uma forma ou outra demonstro meu desconforto em relação à pessoa, inclusive aqui no mundo virtual.

Na vida real é mais difícil fugir das regras de bem viver instituídas e nos violentamos muitas vezes em função delas, entretanto aqui, felizmente, temos como ignorar os que nos fazem mal, especialmente aqueles seres pesados, com uma carga negativa tão latente que sente-se mesmo através da tela a maldade iminente, mesmo quando travestida de palavras gentis.

Justifico a aparição destas criaturas no meu caminho, assim: - Devo ter jogado pedra na cruz.

A internet na minha vida é recreio e portanto me permito escolher com quem brincar.

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BLOGAR, A ARTE DE TROCAR EXPERIÊNCIAS


Tenho observado nos últimos tempos que tanto eu quanto meus amigos *blogueiros* de uma forma tímida, meio que relutante temos nos mostrado mais nos Blogs. Aos poucos vamos deixando fluir o que está lá no fundinho, uma espécie de não querer..querendo..um tatear de sentimentos, um engatinhar ainda inseguro de emoções...

Este espaço se tornou uma espécie de terapia pra mim, com a vantagem maravilhosa de não ter ônus algum... Sento frente a tela e libero meus anjos e demônios, eles lutam e ao vencedor dou o direito de guiar minhas mãos no teclado.... O resultado é sempre uma surpresa, em determinados momentos me desconheço, tal a espécie que me causam determinados textos. É sempre a nessa escrevendo, mas querem saber? às vezes, olho o que fiz e digo: - Olá! muito prazer...

A função primeira do Blog é ser um Diário Virtual, nem sempre seguida, acho que como eu, muitos usam está página como uma exposição do outro lado, o de dentro, aquele que ninguém vê... Em vez de contar o que se passou conosco no trânsito por exemplo, falamos de coração, de alma, corações velhos e experientes passando sabedoria para almas juvenis e perdidas, jovens corações renovando almas anciãs... uma troca...um vai e vem de vivências, um aprendizado constante, o tentar entender o que não se explica, a razão da própria existência.


nessa Gentile


EDUCAÇÃO


Educação é para poucos, você tem ou desconhece, caminha junto com a sensibilidade que é inerente ou então inexistente nas pessoas. Não é algo nato no ser humano, vêm de berço mesmo. Ainda lembro de minha mãe dizendo: *tira o braço da mesa menina*, *não se fale com a boca cheia ou *agradeça ao moço* , *cumprimente sua tia*, com o tempo, estas sugestões passam a fazer parte de sua conduta e você as usa naturalmente.

Há que se ter educação em todos os níveis, mas vou restringir este universo às salas de chats. Por favor entendam que não tenho a pretensão de ditar regras, estipular posturas, menos ainda condenar quem quer que seja, faço um comentário acerca do que tenho observado, apenas isto.

Assim como a voz, a palavra tem um tom, que é captado pelos olhos e você realmente *ouve* o som do que foi escrito. A letra maiúscula tem a função exclusiva de dar ênfase, destacar algo que você considere importante e pretenda que seu destinatário perceba. Mas se a usa indiscriminadamente, ou seja, só escreve assim, a impressão que passa é de que está falando muito alto, vários tons acima dos que estão conversando com você, ou apenas ocupando o mesmo espaço.

Pra alguns talvez passe despercebida sua gritaria, mas acho que a maioria, assim como eu, sente-se incomodada com esta imposição, esta agressão visual desnecessária. A menos que seja sua intenção chamar a atenção o tempo todo e correr o risco de tornar-se desagradável, use a letra maiúscula de forma correta, existem inúmeras maneiras de captar o interesse alheio e gritar com certeza não é a mais adequada, tão pouco a mais educada.

Educação não ocupa espaço, você sim, se não a tiver e de forma indevida.

nessa Gentile


COISAS QUE NÃO ENTENDO SOBRE PRECONCEITO


A palavra já diz, pré-conceito, estabelecer antecipadamente juízo sobre algo. Por natureza convencionamos opiniões e quando situações relativas a estes fatos se proporcionam automaticamente classificamos, normalmente sem ponderação.Como disse no título, existem coisas que não entendo sobre preconceito, então quero justamente ponderar a respeito, trocando idéias com vocês.

Semana passada visitei meu amigo Paulinho, cadeirante, (a referência é em função do tema) que dissertava sobre uma reportagem que assistira sobre deficientes físicos e o mercado de trabalho, onde a gerente de recursos humanos de uma grande empresa havia dito:


"Trabalhar com surdo-mudo é adequado, sobretudo em lugares, onde exista muito barulho."

Confessando minha ignorância perguntei a ele que mal poderia haver nisso, e se não seria uma forma que a sociedade ainda engatinhando neste sentido teria encontrado de transformar nossos defeitos de fabricação em qualidades, e acrescentei que todos os temos, e como os temos.

Voltei alguns dias depois pra ver se minha pergunta havia sido respondida, e necas de pitibiribas.Dai fiquei pensando, ou a pergunta foi muito idiota e não merecia resposta, ou o Paulinho não se manifestou por não fazer mesmo o gênero blogueiro interativo.

Então li os comentários subsequentes ao meu (fui a primeira), pra saber das outras opiniões, Mariazinha, ficou na dúvida depois de ler o que eu escrevera, Tchela (que soube também é cadeirante), só a conheço de vista através do blog do Toguzinho, classificou a funcionária de estúpida, e uma outra moça que também assistira a reportagem, de nome Mariá, disse que não interpretara da mesma forma que Paulinho e Tchela o que a gerente havia dito, que não levara a mal o que escutara, justificando que talvez estivéssemos tão acostumados a pensar assim que terminássemos por considerar normal.

Eu não sou insensível, pelo contrário, tenho a sensibilidade tão aflorada que muitas vezes adoeço (literalmente) por problemas alheios, e sinceramente não vejo problema algum em se adequar pessoas à determinadas profissões, de acordo com suas condições físicas e intelectuais.

Todos somos selecionados quando buscamos trabalho, não se trata de limitar aptidões, abortar carreiras, ou discriminar este ou aquele, trata-se de dar trabalho a quem precisa e num País como o nosso quem tem emprego que levante as mãos pro céu e agradeça, seja ele quem for e como for, porque esta é a nossa realidade.

É certo que a sociedade ainda busca caminhos, estamos em fase de aprendizado, mas é público e notório o avanço que temos feito neste sentido, aplaudido inclusive pelos chamados *deficientes*.

O que tenho lido de uma maneira geral e agora não me referindo ao texto do Paulinho, é que os que se julgam discriminados por preconceitos e se manifestam veementemente contra este tipo de tratamento, incoerentemente, buscam protecionismo, como a garantia de vagas para negros em Universidades por exemplo, mas isto é assunto pra outro post...

E vocês? O que pensam sobre este assunto?

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A GRANDE FAMILIA E OS NORMAIS


Tenho assistido aos programas "A grande família" e " Os normais" toda quinta e sexta-feira respectivamente e dado muitas risadas! A nova abertura do primeiro ficou incrível, especialmente pra mim que adoro animações gráficas!

Os atores são perfeitos e os textos um primor de genialidade, as situações criadas, na maioria das vezes estéreotipadas, nos remetem a situações já vividas, ou no mínimo nos fazem pensar...e se fosse comigo, como eu reagiria...?

Fala a verdade! Não dá vontade de fazer parte daquela família maluca as vezes?
Viver naquele caos organizado? Ou então ser a Vani em outras, e deixar vir à tona todas as nossas reuroses tão bem escondidas?

Fico imaginando, uma visita dos normais à grande familia, já imaginaram? Acho que vou escrever pra Globo sugerindo...que tal??

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*SER* HUMANO


Assisti no Jornal Nacional, meninas cegas dançando Balet clássico para um grupo de bailarinos da Dinamarca. Mais do que a beleza daqueles pezinhos flutuando sem medo pelo palco, o que me chamou à atenção foi a expressão facial do grupo de dança (adultos e plenos de bons olhos) que na platéia assistia ao espetáculo. Estavam literalmente boquiabertos, absolutamente impressionados com o que viam.

A impressão que tive é de que se perguntavam, como é possível? Então lembrei que as escolas de dança são cheias de espelhos, com a função de fazer *ver* ao dançarino os movimentos de seu corpo e assim eventualmente corrigir o que não está correto com a ajuda do professor.

Só que àquelas meninas que a frente deles executavam movimentos perfeitos, jamais viram seu reflexo já que a vida lhes negou um dos 5 sentidos.

Se para leigos já é incrível tal proeza, imaginem para eles, profissionais dedicados, mais do que ninguém concientes das dificuldades inerentes à profissão, centenas de vezes potencializada caso não dispusessem da benção maravilhosa da visão.

Acredito que aqueles dinamarqueses sairam do teatro côncios de que o mais importante de tudo é possuir um único sentido, o de *ser* humano, a capacidade que temos de transformar adversidades em magia e encantamento.


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BAÇO...


Ao ver a cena do torcedor corintiano literalmente cravado na grade do Estádio, fiquei imaginando o que leva o ser humano a arriscar sua vida desta forma. Soube que perdeu o baço, sei lá pra que serve este orgão, mas se está dentro de nós, alguma função relevante deve ter..., ou não??

Será que no instante do ato ele pensou nos riscos que corria, raciocinou antes de cometer tal imprudência e ainda assim foi em frente...., ou não? Podia ter morrido, mas felizmente entre " mortos e feridos"... foi-se o tal do baço....,que eu continuo sem saber pra que serve, além de atrapalhar textos já que a idéia inicial era falar sobre paixão, este poderoso e incontrolável sentimento que nos faz cometer verdadeiras insanidades.

Perdi o clima, culpa do baço, se ainda rimasse com paixão, mas que nada, só o que fez foi tirar minha inspiração!


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NOME DA MORTE


Dizem que Jorge Lafond, O Vera verão, morreu de tristeza!
Logo que escutei a noticia, o motivo ou suposto motivo, me fez pensar..., morrer de tristeza ?
Fiquei imaginando o Atestato de óbito, por certo não colocaram lá:
Causa da morte: - tristeza.
E aí, aquele lado direito( e esquerdo), de capricorniana entrou em ação...
Que absurdo estão dizendo, se morre por atropelamento, ataque cardiaco, aneurismas, .....etc!!!
Isto ficou feito ping e pong na minha cabeça, ia e vinha, sempre acontece quando algo não bate bem pra mim!

É claro que se morre de tristeza, desgosto, desilusão e até alegria, na verdade se dá o inverso, um sentimento seja ele qual for e o impacto que causa dentro de nós, é que proporciona à medicina o nome da morte.

Então o * nome da morte * de Jorge Lafond , foi parada respiratória, mas foi de tristeza que ele desistiu de respirar.......


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...e finalmente São Suplício, dai-me paciência e sabedoria para abrir embalagens. Amém!


Não sei vocês, mas travo verdadeiras batalhas com determinadas embalagens, me refiro principalmente àquelas de produtos comestíveis, vendidas em Super Mercados, mas existem outras categorias que me massacram igualmente..

Algumas deveriam vir com manual de instruções, porque são sem exagero pegadinhas do tipo, *adivinhe como abrir*, e deixam os incautos e desprovidos de QI suficiente, como eu, enlouquecidos.
Não vou mentir, já assassinei várias, o Jack perto de mim nestas horas morreria de inveja. Algumas foram esfaqueadas, outras marteladas, houve arremesso a distância, sem contar as que mordi e matei literalmente a dentadas.

Confesso!! Sou uma serial killer de embalagens, e caso vocês me denunciem e eu seja julgada por tais crimes, alegarei insanidade temporária, porque toda minha civilidade vai pro espaço nestes momentos.

Os caras que inventam estas caixinhas, pacotinhos e latinhas só podem ser masoquistas, fico imaginando o ar de satisfação dos miseráveis ao bolar as malditas, podem me chamar de paranóica, mas tenho quase certeza que na hora da criação eles pensam em mim, diria até que se reúnem pra combinar as diversas maneiras de como enlouquecer uma pulg@.

Valei-me São Suplício!

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SONHAR NÃO CUSTA NADA


Final de ano a gente meio que se abre pra balanço, faz como que uma auditoria dos meses passados e planeja as famosas resoluções para o próximo período. Estas proposições, na maioria das vezes funcionam como as dietas, sempre haverá uma segunda-feira e portanto vamos empurrando pra frente, o que deveríamos ter feito lá atrás e lá se vão os 12 meses e tudo continua como sempre foi.

Como sonhar não custa nada, sempre tenho a sensação de que naqueles dez segundos finais, antes da virada do ano, quando iniciamos a contagem regressiva a Humanidade pelo menos em pensamento, transforma o Planeta Terra em Paraíso. A energia daquele momento é de um mundo menos egoísta, mais solidário, e tenho pra mim que é nesta palavra, SOLIDARIEDADE, que tudo se resume.

Com este espírito atuando dentro de nós, os sete pecados capitais, IRA, SOBERBA, PREGUIÇA, AVAREZA, LUXÚRIA, INVEJA E GULA, deixariam de existir.

Porque a ira nos cega, assim não enxergamos o próximo e nem a nós mesmos, da mesma forma a soberba, olhamos só para o alto e esquecemos outros planos, na avareza só o que conta é o que podemos amealhar em benefício próprio, igualmente na luxúria, quando buscamos individualmente o prazer maior, ou na gula, quando novamente o que vale é a satisfação pessoal, e finalmente a inveja, que dispensa comentários.

Se pudéssemos nos congelar naquele segundo final, antes da frase: FELIZ ANO NOVO quando os corações estão repletos de amor, teríamos um mundo perfeito.

Quem sabe, como eu disse, sonhar não custa nada...

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MORTO VIVO OU VIVO MORTO?


Outro dia li que um homem encenou seu velório, só para saber como seria, eu pretendia postar aqui a matéria, mas esqueci. O que me lembra àquela frase, dita por não sei quem.... * Li não sei onde e dou de graça pra vocês *.

Minha memória anda prejudicada, acho que estou sofrendo de overdose de informações, sou uma leitora compulsiva, e não seletiva, tendo letrinhas, vale até bula de remédio. Sabe-se lá não é? De repente num papo social alguém cita um remédio famoso, preciso estar informada. Mas voltando ao morto vivo, digo, ao vivo que queria saber como seria estar morto. Tem gente muito maluca neste mundo de teu Deus, o homem contratou funerária, distribuiu convites, e ficou lá, deitadão no caixão, só curtindo o ritual. Curtindo?

Fiquei pensando, mas é tonto mesmo, garanto que a maioria do pessoal que participou do ensaio, não volta quando ele realmente bater as botas. Sim, porque um velório já é tortura, ir a dois, e da mesma pessoa!! Ninguém merece. Eu não iria. Verdade! Dava por encerrada minha obrigação ali mesmo. Obrigação, porque excetuando-se os papa defuntos, existem, eu conheço alguns, a maioria comparece compulsoriamente, não pode haver programa pior.

E já que o assunto é fúnebre, minha população familiar está devidamente orientada, *se* chegar minha hora, (digo, *se* porque ela está cada vez mais distante, já que fiz contato com o Conde Drácula e ele mostrou-se seriamente interessado no meu pescocinho), não quero exposição ao público.

Meu sarcófago(?) se manterá fechado, do inicio ao fim da cerimônia, e quem se atrever a espiar, palavra que volto para puxar os pés!


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SALVEM AS TARTARUGAS


Na minha cidade existe um Parque muito bonito, e nele há um lago artificial. As crianças adoram dar comida aos peixinhos e também as tartarugas que ali habitam. Ocorre que, com o passar dos anos a população das lentinhas quase parando, aumentou sensivelmente, não só pela procriação natural da espécie, mas especialmente pela doação sistemática de tartarugas ao Laguinho.

Quem tem um bichinho destes em casa, sabe o trabalho que dá mantê-los limpinhos e saudáveis, se a água do aquário por exemplo não for trocada regularmente, produz um mau cheiro terrível. Então, a garotada vai até lá (devidamene convenvencida pelos pais), e deixa sua tartaruguinha de estimação ao lado das amiguinhas, com a condição de voltar aos finais de semana para um olá carinhoso. Assim que, o Lago tornou-se praticamente uma China, um habitante a cada 10 cm quadrados.

Dia desses, uma delas decidiu fugir, não se sabe exatamente o motivo, provavelmente estava cansada de trombar com as companheiras, durante a fuga infelizmente foi atropelada ao atravessar uma avenida e não resistindo aos ferimentos, veio a falecer.... Houve muita comoção pela perda, os Direitos Tartaruguísticos se manisfestaram de forma incisíva, a mídia em geral divulgou o ocorrido com ênfase, algo deveria ser feito urgentemente para melhorar as condições habitacionais das pobres tartaruguinhas, diziam eles: SALVEM AS TARTARUGAS !

Soube ontem que iniciaram a remoção, fico imaginando que destino terão agora estas criaturinhas...

Mas na minha cidade, têm também muitas pessoas com fome, então pensei, porque não reúnem este pessoal no parque, (podem ser chamados pela mesma mídia que anunciou o óbito da falecida), fazem uma sopa de tartaruga bem reforçada, e dão de comer a esta gente. Elas poderíam inclusive, serem servidas pelo grupo de *Direitos Tartaruguísticos*, que tal ?

Isto com certeza causaria nova mobilização. Comer as coitadinhas? Nossa! As crianças vão chorar! Ora, a solução é fácil, dêem outra tartaruguinha a elas, depois doem novamente ao Parque, deixem que se reproduzam e façam outra sopa !

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FORUM SOCIAL MUNDIAL


Todos os olhares estão voltados para Porto Alegre, olhos brasileiros, olhos do mundo inteiro ! Personalidades mundiais de todos os setores nos visitam, esteve aqui o Presidente da nossa República, seu Ministério e até de Brasilía nos chamaram.

Cenas inusitadas, linguas diversas, vestimentas variadas, culturas diferentes, uma espécie de Babel do terceiro milênio!! Todos reunidos em torno de um único objetivo, a solução dos problemas sociais dos países menos desenvolvidos, menos favorecidos.

Como pode ser viável, deslocar, reunir e mobilizar pessoas de todo o Planeta, arrecadar verbas, fundos suficientes para um evento deste porte, e não ser possível consertar o telhado daquela escola da perifería ?

Holofotes......sempre eles, sem luz e palco, não há aplausos e sem este som, esse tablado, a impressão que tenho, é que o ideal perde a razão e o vigor muito depressa.

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MONSTROS


Olhando a cena da estátua de Saddam sendo derrubada, lembrei de outros ditadores que foram depostos de forma semelhante,
alguns até contemporâneos meus... O mal é eterno, já percebi, mas aquele que personifica a maldade, o ser mau, este tem um tempo, que felizmente se esgota ...por bem, ou por mal.

Todos temos monstros dentro de nós, aqueles com os quais lutamos diáriamente, raiva, inveja, ganância, soberba, enfim, pensamentos ruins que nos assombram muitas vezes! Alguns são bem mandados, e desaparecem quando você os expulsa, mas outros apenas se escondem...... ficam ali a espera de uma oportunidade para se manifestarem novamente.

São estes que me assustam, os incontroláveis, quando menos se imagina eles aparecem, em uma palavra, ou ato qualquer. E, é com estes que travo lutas terríveis, sempre, incansavelmente! É preciso derrubar, depor, eliminar estas figuras horrendas de dentro de nós, para que elas não tenham chance de ganhar vida, e incorporar um novo Saddam Hussein....

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SEU ALBERTO


Difícil acreditar que alguém tenha medo de gato não é? Pois eu tenho e medo é pouco pra descrever o que sinto toda vez que avisto este *bichano* . Não posso nem ouvir o miado que lá vem o desconforto, *não me perguntem onde fica o Alegrete*, porque nem sei a razão desta fobia, mas que ela existe, existe, assim como as bruxas... Dizem que trazemos resquícios de vidas passadas, sou dentuça, vai ver fui uma mouse medieval perseguida por um garfield assassino...

Há alguns anos, havia um gato na minha rua, aqueles amarelos imensos, duvidem se quiserem, mas tenho certeza que o infeliz lia meus pensamentos, acho que eles têm parte com o capeta. Podia estar em qualquer lugar, bastava me ver chegar, corria e deitava na minha porta de entrada e ali ficava feito estátua romana !

Eu mantinha à distância de uns 30 metros, me escondia atrás de um pilar, e ficava fazendo..Xiiitt...Xiiitt... sabem aquele barulho que a gente faz quando quer espantar alguma coisa? Pois é... O miserento ficava me encarando como quem diz :- fala sério né?

Até que eu desistia, e ia chamar Seu Alberto, meu vizinho, uma santa criatura, que com a candura de seus 80 anos, pacientemente e quase que diariamente, vinha enxotar o famigerado pra que eu pudesse entrar em casa.

Isto aconteceu durante meses, até que um dia Seu Alberto se foi e o gato desapareceu, sei que este senhor adorável o levou consigo, pois sabia que só ele expulsaria meu medo sem perguntar porquê. Obrigada Seu Alberto.

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